“Meu coração tá ferido de amar errado. De amar demais, de querer demais, de viver demais. Amar, querer e viver tanto que tudo o mais em volta parece pouco.”
Caio Fernando Abreu









"No meio das defesas todas, havia algo que não se defendia, não sabia como se defender, não conseguiria, ainda que tentasse. Havia algo delicioso de se sentir que escorregava de dentro da gente e se esparramava no sorriso. Escapulia no olhar. Cantava no silêncio. Fazia florescer pés de sol no tempo encantado em que estávamos juntos. Dispensava nomes e entendimentos. Havia algo que tinha um cheiro inconfundível de alegria. De vida abraçada. De chuva quando beija a aridez. De lua quando é cheia e o céu diz estrelas. Um cheiro da paz risonha do encontro que é bom."
Ah, como tenho saudades dos tempos em que éramos todos pequenos e inocentes. Tenho saudades dos tempos que eu me sentava no sofá em frente à televisão e assistia meus desenhos preferidos, saudades do tempo em que problemas de verdade eram Barbies quebradas, saudades dos ferimentos, os de verdade, e não esses que são invisíveis, mais doem com a mesma intensidade. Sinto falta do modo que as pessoas me tratavam, sinto falta de ser mais uma pequena criança. Sinto falta de ser só uma criança, sem nenhum tipo de problemas, que, sempre que precisassem, teria alguém disposto a me abraçar, a me proteger. Lembro-me de como eu me sentia aborrecida, queria crescer depressa. Tenho saudades dos dias de sol em que eu corria alegremente, brincava. Tenho muitas saudades do tempo em que eu era realmente feliz. Se eu pudesse voltar no tempo, eu aproveitaria tudo isso com um sorriso nos lábios. É realmente uma pena eu não ter aproveitado cada segundo como deveria, e agora só me restam lembranças, pequenas lembranças que irradiam a felicidade de uma pequena criança.